Quando alguém pergunta quanto custa a impressão sob demanda, quase sempre está a pedir um número por t-shirt. Esse número existe, mas não serve para decidir nada sozinho: o custo que determina a sua margem é o custo por encomenda entregue.
As seis rubricas
A produção depende da técnica, do tamanho da área personalizada e do acabamento. É a única rubrica que escala com a complexidade do desenho.
A preparação — recolher, verificar, embalar e etiquetar — é um custo quase fixo por encomenda, independente do número de unidades. Por isso uma encomenda de três artigos é proporcionalmente muito mais rentável do que três encomendas de um.
O envio calcula-se pelo peso faturável: o maior entre o peso real e o volumétrico. Uma almofada pesa pouco e ocupa muito, logo paga por volume. Convém rever a embalagem dos produtos volumosos antes de aceitar que "o envio é caro".
A embalagem é a rubrica com melhor retorno percebido por euro investido e a primeira a ser cortada quando os números apertam. Cortá-la costuma sair caro em avaliações.
As devoluções são baixas em produto personalizado — tipicamente entre 2 % e 5 %, contra 15-25 % no têxtil padrão — mas cada uma custa mais, porque a unidade raramente se revende.
E o seu tempo. Se prepara as encomendas você, tem um custo laboral real. Ponha-lhe um preço/hora honesto e multiplique pelos minutos por encomenda. É a rubrica que decide se externalizar faz sentido, e a única que quase ninguém calcula.
Como calcular o seu custo por encomenda entregue
Some as seis rubricas para uma encomenda tipo real — não o melhor caso — e compare com o seu ticket médio. Se a diferença não deixa pelo menos 45 % de margem bruta, o problema está no preço de venda ou no mix de produto, não no fornecedor.
Modelos de faturação que vai encontrar
- Por unidade produzida: transparente, mas deixa de fora preparação e envio.
- Mensalidade fixa mais custo variável: previsível, mas paga na mesma num mês fraco.
- Tudo incluído por encomenda: fácil de comparar com o ticket médio, com letra pequena por peso ou unidades.
- Mínimo mensal: penaliza os meses maus. É a cláusula que mais convém ler devagar.
Nós faturamos preparação e envio numa só cifra por encomenda, e a personalização à parte por unidade realmente produzida. Sem mínimo mensal e sem permanência, para que um mês fraco se pague como um mês fraco.
O que não devia pagar
- Custo de abertura por referência nova: penaliza precisamente o que torna forte uma marca com catálogo variado.
- Desperdícios de produção do fornecedor: se a máquina dele falha, não é custo seu.
- Agravamento por quantidade baixa: é incompatível com o próprio conceito de produção sob demanda.
- Permanência longa: se o serviço é bom, não precisa de o prender.